04 agosto 2010

A primeira corrida...

A gente nunca esquece!

A minha foi no dia 1º de setembro de 2004. Eu tinha parado de nadar no final de 2003 e, desde então, só fazia musculação, spinning e caía na água quatro ou cinco vezes por mês pra manter a forma. Isso quando encontrava tempo entre as aulas do 4º ano de Engenharia Civil, o estágio/trabalho em período mais do que integral à frente da obra de uma concessionária de carros, em Goiânia, e os milhões de projetos elaborados em todas as matérias de um quase final de curso de Engenharia.

Um professor da academia onde eu treinava, Guilherme Prudente (então técnico do Santiago Ascenço, que eu conhecia porque ele nadava com a minha equipe de natação, quando eu ainda treinava), estava há meses me perturbando pra eu ir correr com a assessoria dele. Ou pra comprar uma bicicleta e começar a pedalar. Ou fazer as duas coisas, e virar triatleta.

E eu sempre enrolando, por um motivo muito simples: NADADOR NÃO SABE CORRER. Não era por causa do trabalho, nem porque eu sabia que pra treinar teria que acordar de madrugada, nem por nenhuma outra desculpa que eu poderia dar plausivelmente. Eu não sabia correr. E não tinha o menor interesse em aprender. Ponto.

Desde os meus 13 anos, quando eu passei para a categoria infantil da natação federada, todo começo de ano era a mesma coisa: o Omar (nosso técnico cubano) colocava todo mundo pra correr em volta da quadra (ou do quarteirão da academia) pra perdermos os quilos extras acumulados nas festas de fim de ano. E metade da turma fazia sempre a mesma coisa: corria na frente do Omar, andava no fundo da quadra. Eu inclusa.

Juro que não era por mal. Eu nunca gostei de matar treino. Aliás, treinava mais do que todos os outros atletas da equipe, da minha idade. Dobrava duas ou três vezes por semana, sozinha, na hora do almoço. Mas eu não agüentava correr tanto! Como assim, CINCO VOLTAS na quadra??? Isso deve dar uns 2km!!!

Quem diria... O trauma durou até os 20 anos. E eu não fazia triathlon porque não sabia correr, e achava que não iria aprender nunca. Mas um belo dia eu tive um piripaque na obra, e o diagnóstico foi... stress! Como assim? Antes dos 20 anos?? Já???

Decidi (sim, decidi, porque ninguém me falou isso) que o meu problema era falto de esporte competitivo. Só academia, pra mim, não adiantava. E resolvi aproveitar o recém-criado grupo de corrida da MB Engenharia e a proximidade de uma prova (a Mini-Maratona de Goiânia, realizada sempre no dia 24 de outubro) pra começar a correr.

Dia 1º de setembro eu acordei às 5h45, calcei meu tênis e fui (de carro) pro Parque Vaca Brava (cujo ponto de encontro ficava a quase 700m da minha casa) encontrar o restante da equipe, que já treinava ali três vezes por semana há mais de mês. Corri cinco voltas: 5.5km de sobe e desce ininterrupto, fingindo que eu não estava quase me matando para acompanhar a Karol (então secretária da empresa). Fechei o treino em 41’07” (incríveis 7’28”/km).

No outro dia eu quase não andava, mas dois dias depois eu fiz a mesma coisa. E depois mais sete vezes, até que a minha 10ª corrida foi a Mini Maratona de Goiânia, enooooormes 10.6km em 1:03’ (isso mesmo, 6’00”/km; um grande avanço pra nove treinos, ta?). Uma semana depois da prova eu comprei minha primeira bicicleta speed, a Specialized S-Works que hoje a Flavinha Fernandes guia devidamente. Dia 21 de novembro eu fiz a minha primeira prova de triathlon, e sobrevivi (era aniversário da minha mãe; eu tinha que sobreviver). Uma coisa levou à outra, que levou à outra, e os mais recentes capítulos desta história todo mundo (pelo menos todo mundo que lê este blog) sabe.

Então, ontem, dia 03 de agosto de 2010, eu fiz a minha primeira corrida. De novo. Na esteira, 4x 2’30”, intercalados com 2’30” de caminhada. Passo: 7’00”/km. E não senti nada de dor. Nadinha, nenhum incomodozinho. E a passada curtinha continua ali, quase 100ppm, mesmo no trote. E a postura continua a mesma, a mesma pisada com a ponta dos pés – o direito supinado, o esquerdo neutro, mas com valgo no joelho. Tudo igualzinho.

Tudo menos a vontade, que cresce a cada dia.

O ritmo, logo eu pego.

O volume, tenho certeza de que a Coach Rosana Merino vai me passar daqui a algumas semanas.

O prazer de correr...

Esse, eu descobri em 2004, redescobri ontem, e não quero deixar de lado nunca mais.


01 agosto 2010

Por quê..?

Nestes últimos meses eu ouvi muitas variações da mesma pergunta: por que você quer voltar? Por que ser atleta profissional, num país que não valoriza outros esportes além do futebol? Por que treinar tanto e perder finais de semana, férias, um emprego potencialmente rentável... pra ser triatleta???

Sinceramente, eu não tenho idéia do que respondi a cada pessoa que me perguntou uma coisa dessas, simplesmente porque quem pergunta algo assim ainda não sabe ou não entendeu o que é ser atleta, e não vai se contentar com uma resposta simples - e, neste caso, eu provavelmente “dei uma floreada” na minha resposta. Mas acho que estou voltando pelo mesmo motivo que comecei: porque eu ainda não sei quais são os meus limites. Ou se existem limites...

Uma frase muito legal de um inglês chamado Thomas Atkinson diz que “o mais importante para o homem é crer em si mesmo; sem esta confiança em seus recursos, sua inteligência, sua energia, ninguém alcança o triunfo a que aspira.” Concordo 100%. Mas também é muito legal quando outras pessoas acreditam na gente. Quando conseguimos passar, através das nossas atitudes e ações, mensagens nas quais outras pessoas acreditam e apóiam. E este é o outro lado do esporte profissional que me instiga: através do meu esforço, resignação, determinação e habilidade de olhar através dos obstáculos e limites imaginários em prol de um objetivo, eu consigo inspirar outras pessoas a se dedicarem igualmente a qualquer propósito que elas achem válido. Eu busco ser o melhor que eu posso e ainda motivo outras pessoas a fazer o mesmo. Não é o melhor trabalho do mundo?

Bom, eu acho que pode ficar ainda melhor. Muito melhor!

Que tal ajudar pessoas que precisam?

Em breve, novidades...

15 julho 2010

Novas parcerias

Três meses após o retorno aos treinos de ciclismo e natação e a poucas semanas do retorno previsto às corridas, duas excelentes notícias me deixaram ainda mais “pilhada” para a volta às competições: acabo de fechar novas parcerias com as marcas internacionais ASICS e AQUA SPHERE.

No último dia 5/7, visitei o pessoal da ASICS na pré-venda da marca. A exposição de toda a linha de tênis, vestuário e acessórios da marca parecia um parque de diversões para nós, atletas, e eu pude ver (em primeira mão) o material com o qual vou trabalhar na próxima temporada: o Noosa Tri 6, o Gel DS Trainer 16, o Saroma Racer e o tênis de provas curtas Speedstar, além de alguns outros modelos de trilhas e treinos indoor. Experimentei algumas peças para escolher os tamanhos e assinamos nosso contrato, pelo qual a ASICS passa a ser a minha marca oficial e exclusiva de material esportivo.

Fiquei muito feliz com a nova parceria: uso os tênis da ASICS desde 2007, e corri o Mundial de Longa Distância da Holanda e os meus dois Ironman com o modelo DS Trainer (Holanda e Arizona com o DS 13 e Brasil com o DS 14), além de várias provas de meio-ironman e duplo-olímpico com o Noosa Tri 25th Aniversary. Agora, além de usar os tênis e roupas da marca, vou ajudá-los no desenvolvimento dos novos modelos de vestuário para triathlon e ciclismo. Aguardem as novidades!


Já ontem tive o prazer de conversar e fechar a parceria com a AQUA SPHERE, empresa oriunda da Aqua Lung (inventora dos cilindros de compressão para scuba diving há mais de 60 anos) que fabrica wetsuits, óculos, toucas e acessórios para treinos de natação, como elásticos, nadadeiras e pranchas. Também estiveram na reunião com a AQUA SPHERE os atletas do RM Elite Team Carolina Furriela, Ivan Albano e Sílvia Fusco, que também passam a ser apoiados pela marca.

Pelo acordo, passarei a vestir a super roupa de borracha Aqua Sphere Icon, consagrada pelo campeão mundial de Ironman em 2005 Faris Al-Sultan, e a usar os óculos Kayenne Lady e Kaiman Lady. Além destes materiais e dos acessórios para treinos, já recebi e testei as resistance cords, que possuem manopla acolchoada para os exercícios de fortalecimento de membros superiores – sessão de todos os dias aqui na Equipe RM!

Agradeço à ASICS e à AQUA SPHERE a confiança no meu trabalho e, principalmente, a aposta que estão fazendo neste meu retorno às competições. Sei que estarei utilizando os melhores produtos disponíveis no mundo, e trabalharei muito pra representá-los da melhor maneira possível.

Agradeço também à FLETS, empresa que me apoiou na temporada 2009 e que ficou ao meu lado mesmo depois do meu acidente. Vocês fizeram parte das minhas maiores conquistas no esporte e, mais do que isso, mostraram que são verdadeiros parceiros. Muito sucesso a todos vocês!

Novas regras de qualificação para o Ironman Havaí dividem os triatletas profissionais

No último dia 25 de junho a WTC (World Triathlon Corporation), empresa que detém os direitos da marca Ironman em todo o mundo, enviou por e-mail a todos os atletas profissionais a ela filiados uma proposta de alteração nas regras de qualificação para o Campeonato Mundial de Ironman, em Kona. No documento que foi circulado, a organização deixou claro que a proposta de regras não era definitiva, e que seriam levados em consideração todos os comentários construtivos enviados pelos atletas até o dia 2 de julho, antes da definição e divulgação das novas regras, prevista para 9 de julho.

Segundo a WTC, os principais objetivos das novas regras, válidas a partir do dia 1º de setembro de 2010 para qualificação para o Campeonato Mundial de Ironman 2011, são:

• Premiar os melhores atletas do triathlon por suas performances;
• Criar oportunidades para novos profissionais e profissionais regionais;
• Qualificar os atletas mais merecedores para o Campeonato Mundial;
• Controlar o número de atletas classificados para o Campeonato Mundial para assegurar uma competição justa e emocionante; e
• Criar interesse adicional da mídia nas competições profissionais através da criação de um ranking e de disputas “cabeça-a-cabeça” mais freqüentes.

A versão final das novas regras foi publicada nesta segunda-feira, 12 de julho. Após a análise das muitas considerações recebidas, várias alterações foram feitas, porém foi mantida a principal proposta inicialmente divulgada: a criação de um ranking dos atletas profissionais, para o qual serão válidas as cinco melhores pontuações do atleta em provas de Ironman e Ironman 70.3, e que definirá os classificados para o Campeonato Mundial.
Neste artigo, publicado no site MundoTRI, apresento uma tradução livre e comentada das novas regras, que parecem ainda não terem sido compreendidas por grande parte dos atletas profissionais brasileiros. É importante ressaltar, no entanto, que os comentários têm caráter subjetivo e refletem a minha opinião, unicamente, como triatleta profissional e entusiasta do esporte.

QUALIFICAÇÃO PARA O CAMPEONATO MUNDIAL
Programa de Qualificação Profissional – Ford Ironman World Championship
Definições
“Qualificação para Kona” significa qualificação para o Ford Ironman World Championship realizado em Kona, Havaí, todos os anos.
“Kona” significa o Ford Ironman World Championship realizado em Kona, Havaí, todos os anos.
“Provas” significam os eventos em todo o mundo com a marca Ironman, de distância completa ou 70.3, que são autorizados pela World Triathlon Corporation.
“Ano de Qualificação” significa o período entre 1º de setembro e 31 de agosto.
“Kona Pro Rankings” (KPR) significa o sistema de ranqueamento que determinará a elegibilidade de atletas profissionais para correr em Kona.
Todas as datas e horários listados referem-se às datas e horários da Costa Leste dos EUA.

A partir de 1º de setembro de 2010, o sistema de vagas baseado em uma performance única para atletas profissionais será descontinuado. Começando com as Provas após 31 de agosto de 2010, os atletas profissionais ganharão pontos para a Qualificação para Kona de acordo com sua posição de chegada. Os melhores 50 homens e 30 mulheres profissionais* no KPR ao final de cada Ano de Qualificação serão classificados para correr em Kona.
*A proporção de homens e mulheres profissionais pode ser ajustada em anos futuros para refletir o percentual corrente de homens e mulheres membros profissionais da WTC que estão competindo em eventos de Ironman E Ironman 70.3.

Com esta nota, a WTC procurou esclarecer um ponto muito discutido da nova regra, que é a diferença no número de atletas de cada sexo competindo em Kona. No entanto, embora o número reflita a proporção de atletas atualmente filiados à WTC, acredito que logo essa diferença se mostre problemática.

O triathlon, ainda e felizmente, é um dos esportes que têm premiação igual para mulheres e homens. Mas a diminuição compulsória da participação de mulheres no evento máximo da modalidade é o primeiro passo para que os organizadores venham a diminuir a premiação feminina em relação à masculina com o argumento simplista: “a concorrência no feminino é menor” – que absolutamente desconsidera a qualidade da concorrência.

disso, acho que 30 (ou mesmo 50) vagas é uma quantidade muito pequena de atletas em um Campeonato Mundial: em 2009, apenas 75% das mulheres e 78% dos homens que largaram em Kona completaram a prova. Mantendo-se este “aproveitamento”, teríamos 22 mulheres e 39 homens profissionais na linha de chegada do Mundial, o que equivale a dizer (hipoteticamente, claro) que, em 2009, nomes como Heather Gollnick, Erika Csomor, Lisbeth Kristensen, Fernanda Keller, Luc Van Lierde, Stephen Bayliss, Petr Vabrousek e Ain Alar Juhanson nem deveriam estar na prova! Acho que um número tão limitado de atletas minimiza a chance de surpresas – e, convenhamos, nem nas provas da ITU e Jogos Olímpicos o número de atletas classificados é tão restrito.


O KPR será determinado como se segue:

a. Atletas serão ranqueados de acordo com o número de pontos que eles acumularem durante o Ano de Qualificação (veja Tabela de Pontos abaixo).
b. As cinco Provas de maior pontuação de cada atleta contarão para o seu KPR. Todas as Provas com pontuações menores serão “descartadas”.
c. Atletas podem acumular pontos a partir de qualquer combinação de Provas DESDE QUE cada atleta complete uma prova de Ironman (completo) durante o Ano de Qualificação. No máximo três provas de Ironman 70.3 podem ser incluídas na pontuação de um atleta.
d. Os atletas não precisam fazer mais de um Ironman completo no Ano de Qualificação para ser ranqueados. Atletas podem pontuar com cinco provas de Ironman (completos).
e. Atletas que completarem Kona receberão pontos que serão mantidos durante o Ano de Qualificação e que podem ser incluídos com uma das provas de maior pontuação do atleta.
f. Marcar pontos em Kona NÃO preenche o requerimento de que cada atleta ranqueado deve marcar pontos em um Ironman completo no Ano de Qualificação.
g. Pontos em nenhuma outra prova valem de um Ano de Qualificação para o próximo.
h. A regra de 5% não mais será aplicada.
i. O KPR será postado no site Ironman.com e atualizado semanalmente, à medida que os resultados das Provas sejam finalizados.

Esta regra, que representa a mudança mais significativa para os atletas profissionais, tem uma série de objetivos não explícitos, mas muito claros:

1. Efetivar a característica de “circuito mundial” de Ironman e Ironman 70.3, com várias provas gerando pontos para um Evento Mundial, nos moldes do que é feito atualmente pela ITU;

2. Fazer com que os atletas compitam em mais eventos da WTC em detrimento de outros organizadores, gerando mais retorno de mídia para a organização das provas;

3. Evitar que os principais atletas “se escondam” o ano todo e apareçam apenas em Kona, ou mesmo que compitam em Kona sem nunca antes terem feito um Ironman – casos muito comuns e facilmente exemplificados por Craig Alexander e Mirinda Carfrae (ambos conquistaram pódio no Havaí em seu primeiro Ironman), Julie Dibens (fará sua estréia na distância no Havaí), Chris Lieto e Linsey Corbin (que só costumam fazer um Ironman por ano, em Kona) e vários outros;

4. Possibilitar a classificação para o Campeonato Mundial de atletas consistentes, frequentemente Top 10 nas Provas, mas que não costumam ficar entre os três primeiros;

5. Eliminar a regra dos 5%, que produziu disparates como a não classificação de Oscar Gallindez para o Mundial, em uma prova em que, não fosse a quebra de recorde por Luke Mackenzie, facilmente teria assegurado sua vaga.

No entanto, vejo dois ENORMES problemas na nova regra:

1. Atletas de regiões que têm poucas provas (como é o caso da América do Sul, que tem apenas o Ironman Brasil, o Ironman 70.3 Brasil e o Ironman 70.3 Pucón) tendem a ser excluídos do Campeonato Mundial, levando-se em consideração os custos envolvidos em viagens ao redor do mundo para competir.

Vale lembrar que, ao contrário da ITU, em que as provas envolvem as Federações Nacionais (que costumam financiar as viagens de seus atletas), a WTC organiza eventos PROMOCIONAIS, em que os atletas competem INDIVIDUALMENTE, tendo que arcar com todos os custos de viagens.

2. A WTC parece ter desconsiderado que o desgaste físico provocado por uma prova de Ironman (ou mesmo de Ironman 70.3) é substancialmente diferente daquele provocado por competições de distância olímpica. Esperar que os atletas façam no mínimo um (mas preferencialmente dois ou mais) Ironman e três Ironman 70.3 por ano e ainda tenham condições de treinar adequadamente e performar em Kona é irreal a longo prazo – a fórmula pode funcionar por um ano ou dois, mas quantos anos vamos durar como atletas profissionais se não dermos aos nossos corpos o tempo de recuperação adequado?

Qualificados de Julho
Os 40 homens e 25 mulheres profissionais com as maiores pontuações no KPR em 31 de julho serão classificados para competir em Kona. Estes atletas (“Qualificados de Julho”) têm sua vaga em Kona assegurada, desde que eles se registrem no evento de acordo com os procedimentos de inscrição.

Não mais do que 40 homens e 25 mulheres poderão ser Qualificados de Julho. Empates resultando em mais de 40 homens ou 25 mulheres serão quebrados pelos Critérios de Desempate, abaixo.

Exemplo – Em 31 de julho, seis homens estão empatados na 36ª posição do KPR. As cinco vagas remanescentes de Qualificados de Julho serão definidas pelos Critérios de Desempate.

Qualificados de Agosto
Os 10 homens e 5 mulheres profissionais com maior pontuação no KPR em 31 de agosto, não incluídos os Qualificados de Julho, serão classificados para competir em Kona. Não mais do que 10 homens e 5 mulheres poderão ser Qualificados de Agosto. Empates resultando em mais de 10 homens ou 5 mulheres serão quebrados pelos Critérios de Desempate, abaixo.

Exemplo: O Atleta A tem 2000 pontos em 31 de julho e está ranqueado em 40º lugar no KPR. O Atleta A está classificado para Kona. No KPR final (publicado após 31 de agosto), 11 atletas masculinos acumularam mais de 2000 pontos e estão ranqueados à frente do Atleta A. Dez destes 11 atletas, de acordo com os Critérios de Desempate, serão classificados para Kona.

A criação de uma classificação parcial (em julho) é uma modificação à proposta originalmente apresentada em resposta aos freqüentes comentários de que 31 de agosto seria tarde demais para os atletas saberem se estavam classificados para o Mundial, embora no sistema atual cerca de 20 vagas sejam distribuídas apenas no mês de agosto. Foi sugerido pelos atletas, também, que sejam classificados automaticamente aqueles que atingirem um “limiar” de pontos em qualquer época da temporada, o que será analisado em para o Ano de Qualificação 2012 de acordo com a experiência do primeiro ano de vigência da nova regra.

Qualificados Automaticamente

Campeões de Kona no passado receberão um convite pra entrar na categoria Profissional em Kona por um período de cinco anos após seu último título. Campeões do passado não precisarão se classificar durante este período de cinco anos. Campeões do passado entrando como Profissionais deverão validar sua inscrição completando uma prova de Ironman durante o Ano de Qualificação.

Mantendo a tradição iniciada por Valerie Silk, campeões do passado continuarão a ter um convite vitalício para competir em sua categoria de idade (age group). Campeões do passado que optarem por competir como amadores não precisarão validar sua inscrição. Esses campeões deverão obedecer a todas as regras da WTC, das federações nacionais e internacionais que dizem respeito aos status de profissional e amador e à mudança de categoria (mínimo de um ano sem competir como profissional para que um atleta possa competir como amador novamente).

Os Qualificados Automaticamente serão aceitos em Kona ALÉM das 80 vagas profissionais. Se, por exemplo, uma campeã dos últimos cinco anos estiver ranqueada entre as 30 primeiras mulheres, a 31ª ranqueada estará classificada para Kona.


Critérios de Desempate

Os empates serão quebrados como se segue:

1º Critério de Desempate – O total de Ironmans entre as cinco melhores pontuações do atleta
2º Critério de Desempate – A prova de maior pontuação do atleta
3º Critério de Desempate – A prova de segunda maior pontuação do atleta
4º Critério de Desempate – A prova de terceira maior pontuação do atleta
Caso dois ou mais atletas permaneçam empatados após o 4º Critério de Desempate, todos os atletas empatados serão qualificados.

Inscrição e Rolagem de Vagas

O KPR final será publicado assim que possível após a última Prova do Ano de Qualificação (fim de agosto), mas no mais tardar em 3 de setembro. Os atletas qualificados terão até o dia 7 de setembro para completar a inscrição online para Kona. Uma rolagem de vagas será feita para quaisquer vagas não preenchidas, com as mesmas rolando para o próximo atleta com maior pontuação no ranking. Detalhes do procedimento de rolagem de vagas serão disponibilizados posteriormente.

Inscrições com Wild Card (convite)

A WTC se reserva o direito de ceder inscrições profissionais por “Wild Card” (convite) para Kona. Embora esses convites possam ser distribuídos a critério exclusivo da WTC, essas entradas, se usadas, têm a intenção de “corrigir” quaisquer buracos no novo sistema de qualificação. Os convites não pretendem prover alívio para os atletas em função de lesões, doenças ou quaisquer outros fatores externos.

Este foi o item da nova regra que gerou mais controvérsia entre os atletas profissionais, por “abrir uma brecha” para que os organizadores coloquem quem quiserem no Campeonato Mundial. No entanto, a WTC argumentou que os convites são apenas um artifício de segurança para o caso de uma falha sistêmica, e que eles não serão usados para recuperar ou adicionar nem atleta específico (incluindo Craig Alexander, Chrissie Wellington e Lance Armostrong, segundo a própria WTC) se eles falharem em se classificar. Aparentemente, muitos atletas se mostraram preocupados com a possibilidade de criação de um artifício para permitir a atletas como Lance Armstrong a participação em Kona (como profissional) sem a necessidade de classificação.

Classificação para o Campeonato Mundial de 70.3

A classificação dos profissionais para o Campeonato Mundial de 70.3 2011 será baseada em um formato semelhante a este, com a principal diferença sendo que provas de Ironman não contarão pontos para o ranking deste Campeonato. Detalhes serão anunciados assim que a data do Campeonato Mundial de Ironman 70.3 2011 for anunciada.

POLÍTICAS DE PREMIAÇÃO EM DINHEIRO
Todas as provas de Ironman seguirão estes padrões de premiação em dinheiro. Isso não inclui os Campeonatos Mundiais, que têm padrões de premiação separados.

Campeonatos
Ironman $100.000+ (premiação até o 10º lugar)
70.3       $75.000+  (premiação até o 10º lugar)

Incluem o Campeonato Asia Pacific de 70.3, o Campeonato Americano de 70.3 e Campeonato Europeu de 70.3. Os campeonatos regionais de Ironman serão anunciados.

Eventos Ironman Series
As provas da série Ironman oferecerão bolsas de premiação de um dos valores a seguir:
$75.000 (premiação até o 8º lugar)
$25.000 (premiação até o 6º lugar)

Eventos 70.3 Series
As provas da série Ironman 70.3 oferecerão bolsas de premiação totais de um dos dois valores a seguir:
$50.000 (premiação até o 8º lugar)
$15.000 (premiação até o 5º lugar)

• Os eventos de 2010 pagarão no mínimo as premiações anunciadas.
• A regra dos 8% não mais será aplicável.


MUDANÇAS NAS POLÍTICAS DE ASSOCIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS
A associação dos profissionais à WTC incluirá a inscrição para os atletas classificados para Kona.

Associação Profissional para Uma Prova

A possibilidade de Associação Profissional para uma única prova será oferecida pelos seguintes valores:
• US$200 para provas de 70.3
• US$400 para provas de Ironman

As licenças para provas únicas podem sofrer “upgrade” para uma associação anual, com as taxas pagas para a prova sendo descontadas da taxa anual de US$750.

Qualquer atleta que quiser se candidatar a uma associação para apenas uma prova ou para uma associação anual pela primeira vez deve fazê-lo no mínimo 60 dias antes do evento no qual está planejando competir. Não haverá exceções a este período de 60 dias.

Comentário da WTC: Determinar a classificação para Kona por um sistema de pontos e pelo programa de associação profissional requer que todos os profissionais participantes sejam incluídos no grupo de controle de doping em caráter anual. Os atletas não poderão mais se classificar com uma única performance, desaparecer, e surgir do nada antes de Kona. O requerimento da associação por 60 dias elimina um buraco no grupo de controle de doping que, de outra forma, permitiria que atletas de provas únicas e estreantes na associação profissional esperassem até a última data possível antes de sua primeira prova de Ironman para tirar a sua licença profissional evitando, assim, a inclusão no grupo de controle de doping durante a preparação para a prova. Uma vez incluído no grupo de controle de doping, um atleta pode ser testado a qualquer momento, mesmo após sua prova única como associado.


Programa de Bolsas

Atletas de países em desenvolvimento que não possam pagar a taxa de associação podem se candidatar a uma bolsa de associação profissional, que irá cobrir ou diminuir as taxas de associação, junto ao diretor da prova de Ironman local. Os diretores de provas de Ironman locais irão considerar os pedidos de atletas de sua região e recomendar os atletas merecedores.


TABELA DE PONTOS DE QUALIFICAÇÃO PARA O IRONMAN DE KONA

Seguindo a premissa válida atualmente de classificação automática para o Mundial de Ironman dos campeões do Mundial de 70.3, foram atribuídos pesos maiores para as provas do Mundial de 70.3 e para os Campeonatos regionais de 70.3.

A pontuação para provas de Ironman também é substancialmente maior do que a de provas de 70.3, o que significa que um atleta pode até se classificar fazendo apenas um Ironman, porém atletas que fazem múltiplas provas de Ironman terão maiores chances. Aqui, volto a questionar: atletas como Petr Vabrousek e Hillary Biscay têm o hábito de fazer muitos Ironmans em um ano, mas quantas vezes eles andaram tão bem no Havaí quanto nas provas classificatórias? E quantos outros terão suas carreiras encurtadas pelas novas exigências da WTC?

A boa notícia para os atletas brasileiros é que as provas do Brasil terão aumento na premiação e oferecerão mais pontos do que provas menores ou em lugares mais remotos, como o Ironman Malásia, o Ironman Louisville e o Ironman 70.3 Pucón. No entanto, nós não temos as provas de nível de Campeonato na América do Sul, o que diminui consideravelmente nossas chances de obter pontuações altas sem viajar para provas distantes.

Além disso, as boas pontuações e premiações distribuídas no Brasil deverão atrair ainda mais atletas estrangeiros para as provas locais, enquanto as provas asiáticas perderão atratividade por não mais serem opções de classificação mais fácil para os Campeonatos Mundiais.

Embora partes das novas regras da WTC sejam positivas e possivelmente melhorem o retorno de mídia dos eventos (o que também é muito positivo para nós, atletas), é possível – e bastante provável – que as novas medidas provoquem uma corrida desenfreada dos atletas por provas, em busca de pontos. Acredito que neste primeiro ano veremos muitas pontuações relativamente altas de atletas de pouca expressividade no cenário internacional, o que causará um “buraco” nos resultados do Campeonato Mundial entre os tempos dos primeiros colocados, que se classificarão com duas ou três vitórias nas provas de qualificação, e os últimos profissionais, que obterão a vaga sendo Top 15 em três ou quatro provas de Ironman.

Mais do que isso, porém, me preocupa a exigência de fazer tantas provas tão desgastantes todos os anos. É possível, sim, fazer dois Ironmans e três ou quatro 70.3 em um ano (além, claro, de provas regionais, que passarão a ter importância diminuída no calendário dos profissionais do triathlon de longa distância), se o atleta tiver condições financeiras de bancar tantas viagens. Mas fazer isso ano após ano, não. A tendência é que nossas carreiras como atletas profissionais sejam encurtadas e, com o risco iminente de lesões, a consistência dos resultados seja altamente prejudicada.

Para finalizar, e apenas para ilustrar o cálculo de pontos segundo a nova regra, deixo a vocês o cálculo dos pontos da minha temporada 2009, que possivelmente teria culminado com uma classificação para o Ironman de Kona em uma das últimas vagas. Volto a afirmar, no entanto, que acho possível fazer isso por um ano, talvez dois. Mais do que isso, só para seres sobrenaturais como nossos conhecidos Petr Vabrousek e Hillary Biscay.

Pontuação Ana Lidia Borba 2008/2009
• Ironman 70.3 Brasil 2008 3º lugar 585 pontos
• Ironman Arizona 2008 7º lugar 1040 pontos
• Ironman 70.3 Pucón 2009 4º lugar 350 pontos
• Ironman Brasil 2009 5º lugar 1200 pontos
• Steelhead Ironman 70.3 2009 14º lugar 120 pontos
• Ironman 70.3 Boulder 2009 DNF 0 pontos
o Total: 3295 pontos

04 junho 2010

O outro lado de um Ironman

Em 31 de maio de 2009 eu estava fazendo a minha estréia como atleta no Ironman Brasil, em Florianópolis. Após seis meses de treinos, vários IM 70.3 e um Ironman “teste” na preparação, o dia da prova foi maravilhoso e eu acabei conquistando um dos melhores resultados da minha carreira: a 5ª colocação na Elite Feminina e a melhor classificação entre todas as atletas brasileiras, com o tempo de 9:52’29”.

O ano de 2009 continuou com muitos treinos e competições, todos já voltados para o IM Brasil 2010, onde eu pretendia melhorar minha marca de 2009 e brigar por uma vaga para o Mundial do Hawaii. Infelizmente, no mês de dezembro, sofri um acidente durante um treino que mudou completamente os meus planos para esta temporada: após uma queda em um treino de ciclismo, fui atropelada por um carro e acabei fraturando costelas, coluna e bacia em vários lugares.

A recuperação tem sido excelente e, hoje, já treino natação normalmente, pedalo no rolo e corro na água, além de fazer trabalhos intensivos de fisioterapia e musculação. Não tive seqüelas do acidente e, por isso, já tracei meus objetivos a curto e médio prazos:
- voltar a correr no mês de agosto;
- voltar a competir no final do segundo semestre de 2010; e
- chegar 100% ao Ironman Brasil 2011.

Enquanto isso, tenho tido (e aproveitado) a oportunidade para trabalhar em outras áreas do triathlon. Primeiro, pude ajudar meus amigos que fariam a prova de 2010 com dicas em treinamentos e uma palestra sobre a superação de desafios, ao final de sua preparação para o Ironman. Depois, recebi o convite para transmitir o Ironman Brasil em tempo real, via Twitter, para o site MundoTri, em seu recém-criado canal de comunicação @mundotrilive. Já mais perto da prova, um novo convite – desta vez vindo da Latin Sports, empresa organizadora do Ironman: comentar a prova do Brasil ao vivo, junto aos locutores oficiais do evento.

Fiquei muito feliz com todos esses convites, e me dediquei ao máximo para cumprir com cada um deles. A palestra foi excelente, com a participação de todos os 24 atletas da Equipe RM que participaram do Ironman Brasil 2010 e mais alguns convidados. A transmissão da prova via Twitter, inédita, também foi muito elogiada pelas 221 atualizações ao longo do dia, muitas vezes com fotos dos atletas, e teve 209 seguidores fixos e outras várias visitas isoladas durante todo o evento.
Mas o que mais me deixou feliz – e realizada – foi a narração da prova. Originalmente, a idéia era que eu ficasse na área de chegada dos atletas, ajudando os locutores principais com informações técnicas e pessoais sobre os competidores. No entanto, na reunião com os locutores, no sábado à tarde, me ofereci para ajudá-los em todos os principais pontos da prova – largada, retorno e chegada da natação, retorno do ciclismo, saída da corrida e chegada – idéia que foi bem recebida por todos.

Os comentários começaram tímidos, como em qualquer estréia. Mas ao longo do dia foram crescendo, ganhando importância, e o “bate-papo” com os locutores começou a fluir, dando um tom diferente à narração do evento. Por ser do meio (e por gostar de conhecer e acompanhar outros atletas, claro), eu conhecia ao menos 300 atletas da prova, e tinha pequenas histórias ou curiosidades sobre cada um para acrescentar aos nomes e números chamados no microfone oficial. Por várias vezes, atletas me cumprimentaram ou até pararam para me abraçar durante a prova, e a torcida pela minha recuperação parecia ser tão grande quanto a torcida que eu fazia por cada uma daquelas pessoas que largaram em busca de seus objetivos neste Ironman Brasil.

Fiquei envolvida pelo clima do Ironman durante toda a semana, sendo que no dia da prova fiquei em completa “imersão” das 5:45 às 21:30, quando já não tinha mais voz para comentar ou narrar as chegadas, infelizmente. Mas saí dali com a sensação de dever cumprido!

Pois sei que vários atletas amadores escutaram seus nomes nos retornos, ou na chegada, e se sentiram prestigiados e motivados a seguir em frente com ainda mais força. Sei que o público se divertiu e conheceu um pouco mais desses incríveis atletas que são capazes de concluir um Ironman, muitas vezes conciliando os treinos com família, trabalho, viagens. Que ajudei dois atletas a fecharem a prova abaixo de 11h (e outros abaixo de 12, 13 ou 14h), pois fiz questão de fazer contagens regressivas e ajudá-los a dar aquele último “gás”, conseguindo mais uma marca para se orgulhar. Que prestigiei os atletas profissionais, divulgando suas histórias e passando, com palavras, um pouco da nossa pesada rotina de treinos e competições para aqueles que não convivem diretamente conosco. Que cumpri o meu papel de ajudar os locutores oficiais e a organização da prova, passando as informações que eles esperavam que eu tivesse e várias outras, mais. Mas sei, principalmente, que passei pela experiência de participar de um Ironman sem competir nele, e que esta experiência vai me motivar, ainda mais, nos próximos 360 dias de preparação e no esperado dia 29 de maio de 2011, quando espero estar de volta ao outro lado do Ironman.

Obrigada a todos que participaram desta maravilhosa experiência:
- Rosana Merino e Equipe RM (palestra e prova);
- Wagner Araújo (MundoTri e atleta Ironman);
- Thiago Vinhal, Vanessa Gianinni, Thaty Porto e Lisandra Andrade (minhas fontes de informação, diretamente do percurso);
- locutores, organizadores, cerimoniais e patrocinadores do Ironman Brasil, que estiveram e trabalharam comigo nas áreas de apoio à competição.

E muito obrigada ao Carlos Galvão, diretor da Latin Sports, pela maravilhosa oportunidade.
Nos vemos em Penha?