21 dezembro 2013

Como encarar as festas de fim de ano?

Mais um ano que passou voando, mais uma temporada de triathlon finalizada. Dezembro é tipicamente um mês agitado, pois é quando tentamos encerrar as pendências e planejar os próximos objetivos. E, no meio da correria do trabalho, das confraternizações de fim de ano e das reuniões de planejamento, sobra pouco tempo – e, em muitos casos, disposição – para treinar.

Treinar menos nesta época pode ser muito positivo para o atleta, que começa a temporada seguinte descansado física e mentalmente, com saudade dos treinos longos e duros. No entanto, a combinação “pouco treino + excessos alimentares” potencializa o prejuízo à forma física que as festas de fim de ano costumam provocar. Então, o que fazer?

O principal ponto a ser considerado é: em que altura da temporada você está? Alguns atletas param mais cedo, em novembro, para voltar a competir em janeiro em provas fora do país; outros só competirão no final de fevereiro ou março. Avaliar o tempo que você tem para recuperar um eventual ganho de peso é fundamental na hora de decidir o que você vai beliscar nas festas de fim de ano.

Outra questão importante é a facilidade que o atleta tem de controlar seu peso. Algumas pessoas perdem peso facilmente e em alguns dias fazem desaparecer qualquer “extra” adquirido em duas semanas de desvios na conduta alimentar. Outras passam o ano inteiro fazendo dietas restritivas para tentar chegar ao peso ou à composição corporal ideal, e sair da linha agora pode representar um retrocesso de meses.

Por fim, considere o que você está fazendo para gastar o que está consumindo. Se você estiver treinando, seja triathlon ou qualquer outro tipo de cross training, poderá aproveitar as delícias de fim de ano sem muito peso na consciência.

Particularmente, eu acredito que o Natal, o Ano Novo e as eventuais viagens de férias são uma grande oportunidade que nós, triatletas, temos de mostrar que somos pessoas absolutamente normais e sociáveis. Se passamos o ano todo evitando festas, controlando o que comemos e bebemos e acordando cedo nos feriados para treinar, sair um pouco da linha agora vai agradar os familiares e amigos não-atletas. E, com a letargia geral que se percebe nesses dias, sair para pedalar ou correr um pouco mais tarde costuma gerar uma avaliação mais positiva do que estar de volta às 10h da manhã.

Uma boa estratégia é restringir o número de dias por semana em que você consome alimentos ricos em gorduras e açúcares, coisa que muitas mulheres (e atletas) fazem o ano todo. Treinar também ajuda, mesmo que seja uma transição entre pegar jacarés e jogar frescobol. Comer de tudo um pouco, sem exagerar nas quantidades, e diminuir ou, se possível, cortar a suplementação para aliviar a sobrecarga nos rins e fígado, são as outras chaves para um fim de ano divertido e um começo de temporada sem arrependimentos.

Aqueles que competirão em Pucón, na África do Sul ou nas Copas Panamericanas de janeiro podem e devem aproveitar as festas, mas têm que, no mínimo, evitar excessos. Até porque treinar nesta época, além de solitário, é muito mais difícil se seu organismo estiver trabalhando para processar um monte de gorduras e álcool – aos quais ele não deve estar acostumado, certo?

Então festeje, coma e beba sem culpa; afinal, “o que engorda não é o que comemos entre o Natal e o Ano Novo, mas sim o que comemos entre o Ano Novo e o Natal.”

30 março 2011

De volta pra casa

Mudaram as estações, nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim tão diferente...

Brasileiro de Longa Distância no Ceará, quarto ano consecutivo. Faltei à última edição, mas parecia que tinha competido lá há poucos dias. Desde que cheguei ao aeroporto, na quinta-feira, as lembranças de uma das minhas provas preferidas vinham à tona a todo o momento. Lembrava do desembarque, da locadora de veículos, do entroncamento da estrada que errei, do hotel...

Cheguei a Cumbuco no fim do dia, sem muito tempo para fazer qualquer coisa além de comer e montar a bicicleta antes de dormir. Ao me deitar, as lembranças das vitórias de 2008 e 2009 se misturavam à expectativa pela prova de sábado. Meu lado racional tentava guardar a empolgação em algum cantinho bem escondido para que ela não atrapalhasse os planos objetivamente traçados, e passei um bom tempo me revirando na cama antes de ceder ao sono.

Acordei tranquila, antes do despertador. “Estranho”, pensei, “achei que ficaria mais nervosa com meu primeiro longo...”

Tomei café apressada pela Vanessa Gianinni, que queria sair antes que esquentasse muito, e saímos de carro para fazer o reconhecimento do percurso. Depois, um girinho de pouco menos de uma hora. Voltei para o carro, guardei a bicicleta... E tranquei a chave dentro.

Esfreguei a testa, pensei um pouco. Tentei abrir as portas e janelas; nada. Meu celular também ficou trancado dentro do carro, junto com a chave do hotel, carteira, bicicleta... Fazer o quê? Consegui carona com a Vanuza Maciel e alguns amigos de Florianópolis, voltei para o hotel e liguei para um chaveiro, que só poderia vir depois do almoço. “Ok, vou sair pra almoçar antes de resolver isso.”

Espere aí: eu ainda não estava nervosa, nem estressada, nem preocupada com o horário..? “Que bom que não foi no dia da prova”, foi o máximo de preocupação que passou pela minha cabeça...


(...) Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre
Sem saber que o pra sempre, sempre acaba (...)

Dia da prova.

Acordo às 4h00 sem sono, sem nenhum músculo travado, sem sinusite atacada. O café da manhã desce fácil, nem sequer sinto que comi demais. Apresso a Talita para irmos logo para a transição e chegamos bem a tempo de estacionar na última vaga perto da largada. Transição arrumada, aquecimento feito, largada separada dos homens... “Que dia lindo!”

Largo mal (novidade...), mas logo depois da primeira bóia passo Susana e Jéssica e colo na esteira da Vanessa. “Nossa, acho que tô mesmo num dia bom... A esteira da Van nunca foi tão tranquila”.

Cogito a possibilidade de revezar, puxar um pouco pra abrir mais das meninas, mas o lado pensante vai logo dando bronca: “nem tente fazer gracinha, Ana Lidia!” – o lado racional tem a voz parecida com a da minha mãe – “você vai precisar de qualquer reserva extra daqui a pouco!”. Tá certo, tudo bem...

Saímos da água eu, Vanessa e Jéssica juntas. Transição equilibrada, mas logo no começo do pedal eu aproveito o dia inspirado pra calçar logo as sapatilhas, baixar no clipe e despachar a amazonense. A Van chega comigo no trecho da rodovia e juntas ficamos até o final da terceira volta – nós, um fiscal de vácuo e, depois de algum tempo, a Susana. O vento aumenta a cada volta, o ritmo começa a cair. E vem bronca de novo: “Ô, cabeça... As duas vão deixar pra corrida; e você?”

Pernas pra que te quero! Lá se vai o extra da natação, mais o extra do descanso forçado pela gripe no começo da semana, mais tudo o que tinha. Vinte quilômetros rangendo os dentes, mas consigo abrir um minuto das meninas. Entro na transição feliz da vida, liderando uma prova depois de muito tempo. Calço meu Speedstar rosa em segundos... “Até quando será que eu consigo segurar a ponta..?”


 
(...) Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar, agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa

A versão acústica da música da Cássia Eller não parava de tocar na minha cabeça desde o ciclismo, mas agora parecia mais verdadeira do que nunca.

Eu continuava focada, com as passadas cadenciadas, administrando a vantagem. Eu tinha que completar meu primeiro longo – e, agora que estava tão perto, tinha que garantir meu lugar no pódio.

Com 2km de corrida a Vanessa e a Susana me passaram, correndo juntas. “Tenho mais duas posições”.

Corre, isotônico, corre, Accel Gel, água, corre... “Corre!”

Na terceira de quatro voltas, a Silvinha passou voando; perto dela, Jéssica e, um pouco atrás, Bruna Mahn. “Descer em primeiro e acabar em sexto é sacanagem...”

Faltando menos de 3km para o final a Jéssica me passou, mas eu ainda tinha uma boa vantagem para a Bruna, apesar de ela estar visivelmente correndo melhor. Já estava passando bastante mal do estômago e não conseguia segurar a maior parte dos líquidos que ingeria, começando a sentir os efeitos da desidratação. Mas o quinto lugar era meu...


“Quarto?!? Como assim, quarto..?”

A Jéssica estava uma volta atrás, acabou o dia em sétimo. Vanessa Gianinni, Susana Festner, Silvia Fusco, eu e Bruna Mahn, nessa ordem, formamos o pódio feminino do Campeonato Brasileiro de Longa Distância 2011.

Quer saber? Tanto faz.
Estamos indo de volta pra casa...



Parabéns a todos os atletas que competiram nesse maravilhoso, porém duríssimo, evento – em especial, às minhas amigas e companheiras de RM Elite Team Vanessa Gianinni, Sílvia Fusco e Talita Saab. Parabéns à FETRIECE pela excelente organização e à prefeitura de Caucaia/CE pelo respeito para com os atletas, demonstrado pelo apoio à competição e pelo tapamento de todos os buracos do percurso na véspera da prova.

Obrigada a todos os meus patrocinadores e apoiadores (ASICS, Aqua Sphere, Accelerade, Cia Athlética, Clínica 449 e VéloTech), à minha técnica Rosana Merino, aos meus pais – que foram pra Fortaleza de madrugada para assistir à prova, mesmo depois de uma semana de trabalho em ritmo insano –, e aos queridos triatletas e amigos do triathlon de Fortaleza, que me deram uma força enorme não só durante a prova, mas durante todo esse tempo que me ausentei das provas cearenses. Vejo todos vocês em breve, no Ironman Brasil 2011!

20 março 2011

Matéria: Jornal O Popular

Depois de algum tempo longe das postagens do blog, estou passando por aqui para mostrar pra vocês uma cópia da matéria (basta clicar na imagem para abrir o arquivo) que saiu hoje no jornal goiano O Popular.

Gostaria de parabenizar a jornalista Paula Parreira pelo texto muito bem escrito, apesar de duas pequenas incorreções: o GP Internacional - Summer Edition foi, na verdade, um sprint triathlon, não um triathlon olímpico; e, como a quase totalidade dos leitores deste blog sabe, o Ironman é realizado na distâncias de 3.8km de natação, 180km de ciclismo e 42.2km de corrida.
Espero que gostem!



04 novembro 2010

GPi de Triathlon

Um mês e meio atrás eu escrevi aqui no blog sobre o meu retorno às provas de triathlon em dois revezamentos, no Troféu Brasil e no Thunder Race. E comentei que, na época, eu já me sentia pronta pra fazer mais do que a natação de um triathlon, mas que me faltavam liberação médica e consentimento da família.


Então em outubro eu voltei ao consultório do meu ortopedista, Dr. Dan Oizerovici. Nada de grandes novidades nos exames, mas ele me liberou para correr mais do que os 10-12 minutos que eu vinha fazendo em esteira. Ainda me pediu para evitar o asfalto e para observar todas as reações do meu corpo – e, pra variar, ir com calma. E eu já fiquei um pouco mais feliz com a possibilidade de correr um pouquinho mais e, principalmente, de começar a aparecer nos treinos coletivos na pista de tartan do CT de Campinas.


Achei que era hora de programar um teste de transição e vi no GPi de Triathlon a melhor oportunidade possível, por vários motivos:
- a prova é um sprint triathlon, mesmo para a Elite;
- a largada da Elite é individual, no formato de contra-relógio, e não há grupos na natação;
- o vácuo é proibido no ciclismo, minimizando os riscos;
- o ciclismo tem como principal característica a subida da Estrada da Rainha – definitivamente, um bom teste pra qualquer coisa;
- a corrida é 100% plana;
- a organização é dos meus amigos da SB5 Eventos e da TRIAL (associação da Federação de Triatlo de Santa Catarina à qual estou vinculada), o que é garantia de uma excelente prova.


Fui para Florianópolis na semana anterior ao GPi, quando acompanhei meus amigos do RM Elite Team no Campeonato Brasileiro de Triathlon e cobri a prova para o @mundotrilive. Passei uma semana excelente por lá e, nos treinos, tive companhia da Flávia Fernandes (ECP), Thaty Porto (RM), Vanuza Maciel e Lis Andrade (MEGA). Na quinta, fui com a Flavinha e a Thaty para Balneário Camboriú, onde fizemos o reconhecimento de percurso com a Ale Rocio (TRIAL) e o Fred Monteiro, e conhecemos a famosa “Rainha”.


A subida é mesmo dura: de um lado, tem pouco menos de 250m de extensão; do outro, pouco mais de 300m. Mas sua inclinação chega aos 19%, e mesmo usando uma relação 39/25 na bike de estrada chegamos ao topo da subida “apitando”. Pra piorar, fazemos sempre uma perna lenta antes de começar a subir, impedindo que cheguemos embalados. E tudo isso duas vezes! Percurso show, como em nenhuma outra prova curta no país.


Pra dizer a verdade, o que me deixou mais preocupada no reconhecimento de percurso foi a natação. O mar estava virado e a temperatura estava bem acima dos 20º, o que impediria o uso de roupa de borracha para a Elite. O jeito era torcer para que o tempo mudasse...


Na véspera da competição voltei para Balneário a tempo de participar do Pro Experience, workshop com os atletas profissionais Fred Monteiro e Fábio Carvalho. De manhã, eles deram algumas dicas sobre a natação na praia onde seria realizada a prova, e fizemos um treininho coletivo. À tarde, continuação do curso para atletas amadores e estudantes de Educação Física, com dicas sobre triathlon e sobre o percurso da prova. Depois, feirinha de produtos de triathlon muito bem montada, congresso técnico e um jantar de massas maravilhoso, tudo no hotel oficial do evento. Depois do jantar ainda teve joguinho de Uno no quarto do hotel, contando com metade das atletas da prova feminina (eu, Flávia, Carol e Thaty), Lis e a ilustre presença de uma fã que foi pra BC especialmente para assistir à minha prova – minha mãe! :)


Aliás, um detalhe muito interessante desta prova foi o perfil dos telefonemas e da torcida. Normalmente, alguns ligam ou mandam mensagens pra desejar: “boa prova, força, vai com tudo”. A Coach, se não está presente, liga pra checar se está tudo bem, definir estratégia, desejar um bom trabalho. E na torcida, todo mundo fica passando parciais, gritando pra ir mais rápido, fazer mais força, pra ter garra. Certo..?


Não desta vez. No sábado, os telefonemas pediam juízo, cuidado, paciência, tudo... Menos “partir pra cima”! No domingo, a torcida gritava “bem vinda de volta, está super bem, bom te ver competindo de novo...” Diferente. BEM DIFERENTE!


Com tantas recomendações, nem fiquei nervosa com a largada. Estava ocupada demais pensando: “larga forte, pula onda, nada forte, pega jacaré, transição rápida, pedala rasgando, cuidado nas descidas, transição rápida... SEGURA na corrida”. Não era a sequência de coisas que tomava minha atenção; era a parte de correr segurando o ritmo. “Que ritmo?!? Correr pra 4’20” é segurar pra um sprint? Não, se eu fizer menos de 4’30” minha mãe me mata! Combinei 4’40” com a Rô. Mas e se...???” Como diriam na minha terra: afffe!!! Não sei se isso é concentração ou desconcentração, mas sei que não deu nem tempo de ficar ansiosa pela largada.




A Elite Masculina largou a partir das 10h, com intervalo de 30 segundos entre os atletas. Dez minutos depois do último homem começou a prova da Elite Feminina, sendo a Mariana Andrade a primeira a largar. Depois vieram Sandra Soldan, Flávia Fernandes, Mariana Martins, Thaty Porto... e eu. Depois de mim ainda vieram a Ale Carvalho e a Carol Furriela, mas eu já tinha entrado na fase do “...pula onda, nada forte...” e não sabia de mais nada que estava acontecendo.


Nadei até bem, considerando que eu nem enxergava as bóias de tão alto que estava o mar. Mesmo assim, nos últimos 100m, quando eu já nadava olhando pra trás e esperando uma onda pra pegar aquele jacaré, vi um par de braços rodando igual a um ventilador: a Carol nadou MUITO, e conseguiu me alcançar ali no finalzinho.


Metade da prova saiu pra pedalar em um intervalo de menos de 40 segundos: Thaty, Carol, Mariana Martins e eu. Mesmo mantendo a distância e alternando posições algumas vezes, a referência acabou ajudando a nivelar o ritmo, e as três RMs pedalaram praticamente no mesmo tempo. Com o abandono da Marianinha, a equipe ainda saiu embolada pra corrida.




E aí começou a parte mais difícil: controlar o ritmo. Com a referência da Carol Furriela correndo na frente, só olhando pra baixo pra segurar! Foi o que fiz. Olhei pra baixo, pro lado, pra torcida. Conversei com o Fabinho e com o Alessandro, que estavam entregando água; com as famílias Amorelli e Sant’Ana, que estavam na torcida; com o Henrique Siqueira e o Diogo Sclebin, que já tinham terminado a prova. Só não achei minha mãe pra tirar uma foto minha!


E o ritmo foi encaixando: aquela corrida confortável, agradável, que aparece na propaganda da ASICS (“correr purifica o corpo e a mente – e os pés nem sentem”). Parei de pensar em relógio, em ritmo, em impacto... E consegui, finalmente, curtir a prova.


Passei o restante da corrida curtindo os meus amigos do triathlon, a torcida, a vista do mar... O simples fato de estar ali, correndo. Parei alguns metros antes do pórtico, pra agradecer todo mundo e saborear a chegada. Vibrei com a prova e, mais ainda, com um pódio totalmente inesperado! Este 5º lugar valeu muito mais que isso...




Obrigada mais uma vez a todos os que participaram dos 11 meses de luta até aqui: a toda a Equipe RM e Coach Rosana Merino, aos meus patrocinadores e apoiadores (ASICS, Aqua Sphere, Accelerade, Clínica 449, Cia Athlética e Vélotech), médicos (Drs Dan Oizerovici, Gustavo Janot e Eduardo Meyer), enfermeiros, fisioterapeutas e, especialmente, à minha família. Ainda falta bastante pra chegar onde queremos, mas, com este time e toda a torcida, não tem como não dar certo.






PS: Pra quem ficou imaginando o ritmo da minha corrida: 4'40", cravado, conforme combinado! (rs)

29 outubro 2010

Mais um artigo publicado...

A segunda edição da revista eletrônica MundoTRI Magazine já está disponível para download. Este mês o periódico traz uma seção especial sobre o Mundial de Ironman em Kailua-Kona com matérias, entrevistas, fotos, números e curiosidades sobre a prova.
 
Na coluna Opinião, volto a debater com o triatleta Ciro Violin sobre um tema polêmico: desta vez, o assunto é a diferença entre atletas Amadores, de Elite e Profissionais. Não deixem de conferir a revista (e o artigo!) e deixem seus comentários.

28 outubro 2010

Retul Bike Fit

O Retul é o sistema de bike fitting mais avançado que existe atualmente. Ele incorpora uma tecnologia extremamente precisa de captura tridimensional de movimento, capacidade de gerar relatórios imediatamente e uma ferramenta de digitalização com precisão milimétrica.

Parte do princípio que a tomada de medidas para o bike fit tem melhor resultado quando feita de forma dinâmica, durante o ato de pedalar. Isso porque as medidas feitas estaticamente não mostram ao responsável pelo fit como o corpo do ciclista responde às modificações feitas em movimento, ou seja: em um bike fit tradicional, não é possível ver se o ciclista compensa os ajustes de alguma forma, seja pedalando na ponta dos pés ou movimentando o quadril em torno do selim.

O procedimento começa com uma anamnese e avaliação da flexibilidade e das medidas antropométricas do ciclista/triatleta. Depois dos dados coletados, marcadores LED são estrategicamente posicionados em oito pontos anatômicos do atleta: punho, cotovelo, ombro, quadril, joelho, tornozelo, calcanhar e dedos do pé.

O sistema, então, faz uma leitura tridimensional do corpo em movimento. A partir desses dados, ele gera instantaneamente um avatar (um boneco de palitos, na verdade) do ciclista, permitindo que o avaliador veja e meça deslocamentos laterais, verticais e horizontais. Além disso, com o uso do Computrainer (rolo com as funções de ajuste de potência e análise da pedalada) durante a avaliação, é possível que o bike fit seja testado em diferentes intensidades e, principalmente, na intensidade de competição do ciclista/triatleta, e o fit pode ser definido de acordo com a melhor eficiência gerada.


Depois de finalizado o bike fit, o avaliador utiliza uma ferramenta chamada Zin, um digitalizador portátil da Retul, para literalmente “desenhar” a bike ajustada. O sistema gera um formulário com todas as medidas finais do bike fit incluindo, além de altura do selim e da frente, os cálculos de stack, reach e ângulos efetivos. Assim, o avaliador e o ciclista ficam com o registro preciso do bike fit realizado, podendo conferir as medidas em caso de revisões ou viagens e tendo parâmetros para reavaliações posteriores.

No Brasil, o Retul Bike Fit é feito por apenas dois profissionais: o Marcelo Rocha (Brasília) e o Felipe Campanhola, que atende na Vélotech (Campinas) e no Studio Officina (São Paulo). Felizmente o Pipo é meu apoiador, através da Vélotech, então tive a oportunidade de testar em primeira mão o sistema com a minha bike de estrada, no último dia 17. Ontem, fomos para São Paulo e fizemos o novo bike fit da minha máquina de contra-relógio, aproveitando também para gravar partes de um vídeo de divulgação para o Studio Officina.

Fiquei bastante satisfeita com o resultado, pois conseguimos subir bastante o banco da bicicleta, obtendo uma posição mais aerodinâmica. Além disso, avançamos um pouco o selim, pois o meu quadro pequeno e a geometria de bike de contra-relógio de ciclismo (que tem que obedecer às regras da UCI) tendem a fazer com que eu fique com um ângulo efetivo do top tube bastante pequeno – mesmo após os ajustes, ficou em apenas 75º. Agora vou passar por um período de adaptação, coincidente com o período de base para a próxima temporada, e daqui a alguns meses devemos tentar um novo ajuste: subir e avançar mais alguns milímetros o selim e abaixar um pouco a frente da bike, buscando uma posição ainda mais aerodinâmica, porém confortável o suficiente para um Ironman.




Gostaria de parabenizar o Pipo pela aquisição do sistema Retul e de agradecer a disponibilização do melhor bike fit do mundo para os atletas apoiados pela Vélotech.

No próximo bike fit ou na próxima troca de bicicletas, não deixem de conferir o Retul – Dynamic Bike Fit: é a escolha das melhores equipes de ciclismo e dos melhores triatletas do mundo, e agora está disponível bem perto de nós!

02 outubro 2010

Nova revista de triathlon: MundoTRI Magazine

Esta semana o site MundoTRI lançou sua nova revista eletrônica, a MundoTRI Magazine. Estive presente no evento de lançamento oficial, que aconteceu em São Paulo na noite de quinta-feira (30), onde estavam também alguns outros atletas, anunciantes da revista e representantes da imprensa esportiva.
 
Nesta primeira edição há uma matéria (e entrevista) sobre o meu retorno às provas de triathlon, já relatado aqui no blog, e também um artigo de opinião de minha autoria sobre o vácuo no triathlon. A revista tem download gratuito e pode ser encontrada no link a seguir: MundoTRI Magazine.

A revista eletrônica é uma aposta do editor Wagner Araújo nas novas tecnologias, e poderá ser acessada a partir de smartphones, tablets e computadores. Aliás, recentemente a revista Tri Sport, de Rodrigo Eichler, seguiu o mesmo caminho e lançou o portal 3zone. Nele, podem ser vistos vídeos, fotos e matérias sobre provas de triathlon, em complemento ao conteúdo da revista impressa.
 
Enquanto atleta e amante do esporte, fico feliz com o surgimento de mais duas fontes de informações sobre provas e artigos técnicos. Desejo ao site MundoTRI, à MundoTRI Magazine, à Tri Sport e ao 3zone muito sucesso e longa vida, e deixo os parabéns aos corajosos fundadores e editores dessas mídias.

26 setembro 2010

Mais um reveza: Thunder Race

Ontem participei de mais um revezamento na busca pelo tão esperado “ritmo de prova”: nadei para a equipe mista Mega Dream – que teve também Lisandra Andrade, no ciclismo, e Paulo Xavier, na corrida – no Thunder Race, em Caiobá.


A prova, realizada pela Cia de Eventos pela primeira vez, teve as distâncias de 3km de natação, 152km de ciclismo e 28km de corrida, e contou com cerca de 70 participantes, entre eles 21 revezamentos. Apesar da pequena quantidade de atletas, a organização foi impecável e as distâncias são muito chamativas para os amantes de provas longas, o que me leva a acreditar muito no potencial da prova.
Depois de uma semana de muito frio e chuva no sul do país, o dia da prova teve tempo nublado, mas seco. O mar estava calmo na superfície, mas revolto abaixo do nível da água: a tradicional corrente da Praia Mansa de Caiobá mais uma vez apareceu, fazendo com que tática e orientação se tornassem mais importantes que força na etapa de natação.
 
Mais uma vez nadei bem, e ainda larguei melhor do que em Santos. Fui de novo a segunda mulher a sair da água, mas desta vez a primeira foi a triatleta profissional Vanessa Cabrini, que há anos se destaca pela natação, então fiquei feliz com o resultado!
 
Depois de mim, a Lis fez um pedal bem consistente e passou o chip para o Paulo cinco minutos antes do previsto. Ele também correu bem, e nós fechamos o dia na 4ª colocação entre as equipes mistas. Pódio inesperado! :)

 
Obrigada a todos que participaram de mais este desafio: meus patrocinadores e apoiadores (Asics, Aqua Sphere, Accelerade, Clínica 449, Cia Athlética e Vélotech), à minha técnica Rosana Merino, às minhas amigas (e técnicas da Equipe Mega) Vanuza Maciel e Camila Campanhola – que nos ofereceram a inscrição, a hospedagem e muitos momentos de diversão – e, principalmente, ao meu time, Lis e Paulo, pela excelente companhia e pela super dedicação! Parabéns!

20 setembro 2010

Ufa! Voltei...


Finalmente, depois de 10 meses longe das largadas de provas, voltei ontem ao Troféu Brasil de Triathlon. E percebi que preciso largar mais vezes... E urgente!

Disputei o revezamento em Santos com minhas amigas do RM Elite Team Tuanny Viegas e Thaty Porto, e ganhamos a prova de equipes sem grandes problemas. Na parte sob minha responsabilidade, a natação, terminei em 2º com 12’00” (na entrada da transição), atrás apenas de uma atleta júnior recém saída da natação – então, missão cumprida: nadei bem!

Mas a largada... Ah! A largada...

Eu sempre tive dificuldade com aquela largada de Santos. O mar é raso, a maré está sempre baixa, parece que corremos mais do que nadamos! E eu, que não sou exatamente uma pessoa alta, estou sempre um “estilo” à frente das minhas concorrentes: enquanto elas ainda correm, eu já salto; enquanto elas saltam, eu golfinho; quando elas começam a golfinhar, já estou nadando. E o prejuízo já está acumulado, e eu tenho que buscar a nado.

Ontem não foi diferente – mas acentuado pela falta de ritmo de provas. Quando começamos a saltar as ondas, a Bel Fonseca (minha amiga, colega de treinos da RM e atleta júnior) estava uns cinco metros à minha frente; quando ela começou a nadar, eu já nadava há uns bons segundos e estava uns 50 metros atrás, pelo menos! Que desespero...

Como eu estava ali pra fazer força, mesmo, pus na cabeça que tinha que alcançá-la até a primeira bóia. Escolhi uma linha mais fechada, pois a corrente puxava para a direita, e fui sozinha, enquanto o pelotão feminino ficava à minha direita porque começara em linha reta.

A estratégia deu certo, e passei o grupo sem ser incomodada ou levar pancadas, chegando na primeira bóia lado a lado com a Bel – e por dentro. Fiz o contorno, cutuquei a Bel, que me viu e entrou na minha esteira. Puxei até a segunda bóia, onde achei espaço entre um grupo de atletas masculinos (da largada anterior) e continuei minha linha reta até a praia – já sem a compania da Bel, que ficou presa entre os homens.

A saída da água não foi muito melhor que a entrada, pelos mesmos motivos. Mas foi emocionante! Todo mundo torcendo, batendo palmas... Há quanto tempo eu não via aquilo!


Passei a pulseira pra Tuanny, que logo alcançou a garota que estava à nossa frente, mas competia sozinha... E saí correndo para fazer mais uma transmissão da prova dos profissionais para o twitter do @mundotrilive!

Minhas amigas cumpriram muito bem seus papéis e agora cada uma de nós tem um troféu que nunca imaginou que teria: eu, de nadadora; a Tu, de ciclista; e a Thaty, de corredora! Quem não presenciou o episódio não vai saber nunca o nível da concorrência... :)

Obrigada ao meu time, a toda a Equipe RM e Coach Rosana Merino, aos meus patrocinadores e apoiadores (Asics, Aqua Sphere, Accelerade, Clínica 449, Cia Athlética e Vélotech), médicos, fisioterapeutas e, especialmente, à minha família por terem participado de mais essa conquista na minha busca pelo retorno definitivo às competições.

Espero estar de volta à Elite em breve, mas, por enquanto, vou continuar fazendo largadas e tentando melhorar esse meu ponto fraco. Esta semana tem mais: Thunder Race, em Caiobá. A entrada na água é bem parecida, mas pelo menos o desespero será menor: depois da corrida, são 3000m de natação. Oba!


17 setembro 2010

Troféu Brasil de Triathlon

Para quem se perguntou se eu realmente estaria largando na prova deste domingo, em Santos, a resposta é... SIM!!!

Ainda não estarei competindo sozinha, nem muito menos largando entre as profissionais, no triathlon olímpico – embora a vontade seja tremenda e as pernas, pulmões e coração estejam prontos para isso. Mas ainda faltam alguns “detalhes” da minha recuperação (do tipo: a fratura da bacia terminar de consolidar), então eu vou seguir ordens médicas (e pedidos calorosos da minha família) e me contentar com a emoção da largada.

Participarei de um revezamento com as minhas colegas do RM Elite Team Tuanny Viegas (ciclismo) e Thaty Porto (corrida), sem nenhuma pressão por resultado. Aliás, definitivamente esta não seria a nossa melhor formação de revezamento se o resultado final fosse o foco: originalmente, a minha especialidade é a corrida, e das outras duas a natação. Mas todas competiremos nas disciplinas nas quais temos maior dificuldade – e como diz o velhíssimo ditado: água mole em pedra dura...?

Tenho certeza de que será uma experiência emocionante (o retorno às competições), divertida (o revezamento), valorosa (o tiro de largada e a natação “pra morte”) e, provavelmente, dolorosa (triathlon sprint deixa qualquer um quebrado!). Mas não vejo a hora de alinhar naquela areia de Santos e esperar a buzina de largada...

FÓÓÓÓÓÓÓÓÓMMMM!!!!!!!!!!

Conheçam a minha "nova" bike: Fênix!


Antes da minha volta às competições, resolvi aproveitar para arrumar o equipamento e, principalmente, me dar um super presente: um potenciômetro novo!


O presente acabou ficando por conta do meu pai, que me surpreendeu no meu aniversário, em agosto. Mas como ele só chegou na última quarta-feira, tive tempo para mandar a minha bike de contra-relógio para o Ed Grafix, onde a pintura foi toda reformada e, em alguns pontos, personalizada. Ontem o pessoal da Vélotech conseguiu terminar de montar minha bike e, depois de testar o equipamento em um treininho no velódromo de Americana, voltei ao CTBike para que o Rogerinho conferisse a minha posição sobre a máquina.

Não fizemos nenhuma modificação na posição antes definida, mas como o novo pedivela é 2.5mm menor que o anterior a flexão no joelho ficou ligeiramente mais acentuada, facilitando a manutenção de uma cadência mais elevada. Agora estamos à procura de uma mesa curta (80mm) e inclinada (mais do que os -6º da minha atual) para deixar a posição ainda mais aerodinâmica, aproveitando minha flexibilidade na região toráxica. O problema é que eu uso uma aerobar que exige uma mesa da mesma empresa, com os parafusos de fixação do guidão invertidos. Ou isso, ou uma frente nova. Alguma sugestão..?

15 setembro 2010

Nova parceria: GT Nutrition e Pacific Health

A GT Nutrition é uma empresa baseada em Santos que é importadora e distribuidora exclusiva de quatro dos maiores e melhores laboratórios de suplementos alimentares dos Estados Unidos: Labrada Nutrition, Universal Nutrition, Sport Pharma e Pacific Health Labs.

Este ano, durante o Running Show, em São Paulo, tive a oportunidade de conhecer a equipe responsável por esta grande empresa. Após alguns meses de conversas, entendemos que os produtos da Pacific Health têm um enorme potencial no triathlon de longa distância, e fechamos esta excelente parceria que me permitirá contar com os melhores suplementos para esportes de endurance do mundo: Accelerade, Accel Gel, Endurox R4 e Forze GPS.
 
A Pacific Health tem entre seus embaixadores no mundo o multicampeão do Ironman do Havaí Dave Scott, que costuma dizer que “se você não está usando Accelerade, é melhor torcer para que os seus concorrentes também não estejam”. No Brasil, o time já conta com Marcus Vinícius Fernandes (triatleta especialista em triathlon olímpico) e Poliana Okimoto (maratonista aquática, atual campeã da Copa do Mundo de Maratonas Aquáticas).

O Accelerade é um suplemento em pó (para ser misturado à água) que tem na sua composição uma relação de 1g de proteína para cada 4g de carboidratos, retarda a fadiga muscular e é perfeito para treinos e provas longas – é o suplemento que uso desde 2008, sob recomendação do meu nutricionista Fernando Carvalho, da Clínica 449 – e o que estava em todas as minhas caramanholas nas duas provas de Ironman que fiz.

O Accel Gel também tem a relação 4:1 de carboidratos para proteínas em sua composição, e é perfeito para ser usado em complemento ao Accelerade. Os sabores são excelentes, o que é fundamental quando passamos quase 10h à base apenas de gels, como é o meu caso em Ironmans. Além disso, algumas versões do gel contém cafeína, que ajuda a manter o foco durante esforços prolongados. Particularmente, recomendo os sabores mais cítricos: Key Lime, Raspberry e Morango com Kiwi.
 
O Endurox R4 é um suplemento voltado para a recuperação muscular pós-treino. Também com fórmula patenteada na relação 4:1, tem a medida certa de todos os ingredientes para ajudar na reposição dos estoques de glicogênio dos músculos e na reconstrução muscular, além de contar com vitamina C (antioxidante) na sua composição.

Forze GPS, mais novo membro da família de produtos da Pacific Health, é uma barrinha (ou bebida pronta para o consumo) desenvolvida para ajudar os atletas na manutenção ou redução do peso corporal. Deve ser usado como lanche, entre as refeições principais, pois contém uma mistura equilibrada de proteínas, gorduras saudáveis, cálcio e fibras, para ajudar no controle de apetite. Além disso, a barrinha é deliciosa! Todos os sabores são excelentes, e as três variações com chocolate ainda ajudam a saciar aquela vontade de comer doces que muitas vezes aparece durante períodos de dietas restritivas.
 
Deixo aqui o meu agradecimento às equipes da GT Nutrition e da Pacific Health, que me permitirão contar com os melhores produtos e, principalmente, aqueles nos quais eu confio.
 
Os produtos da Pacific Health (Accelerade, Accel Gel, Endurox R4 e Forze GPS) podem ser encontrados nas melhores lojas de suplementos de todo o país, incluindo a GT Nutrition: Rua Luís Gama, 144, Santos.

31 agosto 2010

Ironman 70.3 Penha - Parte II

No último sábado participei, mais uma vez, da transmissão e locução de uma prova – o Ironman 70.3 Brasil. Se a função não foi novidade, também não o foi o show de organização dado pela Latin Sports, empresa detentora dos direitos da marca Ironman no Brasil. Não foram estranhos o sucesso de público (mais de 630 atletas competindo), os tempos baixos dos atletas (percurso plano e sem vento), a vitória da Vanessa Gianinni nem a excepcional corrida do Ezequiel Morales – embora a vitória dele fosse um pouco inesperada tendo em vista a vantagem que os dois líderes tinham após o ciclismo.

Além da vitória do Ezek, algumas outras surpresas aconteceram: quem esperava o tempo perfeito em Penha, depois de uma semana de frio e ventos fortes no litoral catarinense? Que o Igor Amorelli fizesse um ciclismo para quase 43 km/h de média, e ainda conseguisse passar o Reinaldo no final da corrida para ficar com o seu segundo vice em Penha? Que a Hedla Lopes, atleta 50-54, quase fosse campeã amadora geral? Ou ainda a excepcional performance do também amador Ciro Violin, 6º colocado geral com uma prova sub-5h?

Pra mim, surpresa mesmo aconteceu no fim do dia, quando eu ainda narrava a chegada dos atletas amadores, mas já durante a premiação dos atletas profissionais. Quando as meninas receberam seus troféus, o diretor da prova e da Latin Sports Carlos Galvão pegou o microfone e me fez uma belíssima homenagem, deixando sua torcida pelo meu retorno e para que eu estivesse ali, entre as cinco primeiras, no próximo ano. Fui chamada ao pódio, onde recebi o troféu “Amigo do Ironman” pela minha participação nas provas deste ano.

Fiquei muito emocionada com a homenagem, e gostaria de agradecer aqui não só ao Galvão, mas (em nome da Fernanda Curti) também a toda a equipe da Latin que participou de mais este belo evento. Deixo também os meus parabéns a todos os atletas que participaram da prova, e o meu incentivo àqueles que pensam em disputá-la nos próximos anos. Estarei lá com vocês novamente em 2011, lutando para ganhar mais um troféu desta prova que é uma das minhas preferidas no país.


25 agosto 2010

Ironman 70.3 Penha

Nesta sexta eu viajo para Penha/SC, onde no sábado acontecerá a 5ª edição do Ironman 70.3 Brasil, a terceira no sul do país. Mais uma vez serei comentarista da prova, ao lado dos locutores oficiais do evento, e farei a transmissão oficial bilíngue (português/inglês) via twitter, através do canal @mundotrilive.

Depois de alguns meses nestas funções, vou me despedir temporariamente. Desde o Ironman Brasil, prova na qual fiz a minha estreia no twitter e nos comentários, já fiz as transmissões ao vivo de duas etapas do Troféu Brasil e os comentários de uma delas para o programa especial transmitido pelo SporTV. Mas agora é hora de voltar para o outro lado da prova: em setembro, volto a competir no Troféu Brasil.

Aos que estarão em Penha, eu recomendo uma visita ao stand da Asics, patrocinadora do Ironman 70.3, que terá vários artigos da prova muito legais. Na sexta à tarde estarei na expo, e estou (desde já) à disposição para ajudar com dicas sobre o percurso, a prova ou equipamentos.

Recomendo também o twitter ride (pedal de reconhecimento do percurso) marcado pela equipe do MundoTRI para as 9h00 de sexta, com saída em frente ao Beto Carrero. E na sexta à tarde, para quem quiser dormir a manhã toda e soltar antes da prova, estarei nadando no percurso por volta das 16h30, inaugurando a minha roupa Aqua Sphere Icon.

A todos que estarão competindo, e em especial a todos os atletas da Equipe RM, uma ótima prova!

Nos vemos em Penha!

23 agosto 2010

Nova parceria: Clínica 449



A minha relação com a 449 começou no 2º semestre de 2008. Morando em Brasília e começando a preparação para o Ironman Arizona 2008 e o Ironman Brasil 2009, procurei a clínica especializada em nutrição esportiva, onde fui atendida pelo nutricionista e também triatleta Fernando Carvalho. Com experiência em provas de longa distância e disposição para trabalhar em conjunto com o (então) meu técnico e preparador físico, Leandro Macedo, fizemos o acompanhamento nutricional objetivando o ganho de massa muscular, que me permitiu suportar bem o desgaste dos treinos.

Pude constatar o sucesso da parceria no Ironman Brasil 2009, quando conquistei a quinta colocação geral feminina e fui a melhor brasileira na prova. Mais do que isso, cheguei a Florianópolis na minha melhor forma física e sem ter sofrido qualquer tipo de lesão durante o período de treinamento.

Depois de alguns meses fora do país, da mudança de cidade e de algum tempo longe das provas em função do acidente do final de 2009, recentemente voltei a treinar forte e, com isso, a sentir a necessidade de um acompanhamento nutricional voltado para a performance. Através do twitter, reencontrei a equipe da 449 e propus retomarmos a parceria - convite que, para minha alegria, logo foi aceito.

A parceria será fundamentada no meu acompanhamento nutricional, pelo qual o nutricionista Fernando Carvalho continuará a ser responsável. Serão estabelecidas uma rotina alimentar de acordo com meus treinos e estratégias nutricionais para minhas provas, além da prescrição de suplementos.

O trabalho a ser desenvolvido comigo será mais uma oportunidade de aplicar o Método 449 de acompanhamento nutricional de atletas de alto rendimento. Desde 2001 a Clínica 449 acompanha atletas das mais diversas modalidades (ciclismo, corrida de aventura, corrida de rua, maratonas aquáticas, mountain bike, natação, triathlon e ultramaratona), experiência que é fundamental para a evolução do trabalho com os demais pacientes da clínica e, claro, do meu desempenho.

Acompanhe as notícias desta parceria aqui no blog, no site da 449 e nas redes sociais das quais participamos (twitter: @analidiaborba e @clinica449).

11 agosto 2010

Tirando as rodinhas...

Ganhei a minha primeira bicicleta quando eu tinha uns cinco ou seis anos. Meu irmão, mais novo que eu um ano, tinha uma pequenininha desde os dois, e nós brincávamos juntos com ela. Mas aí eu fiquei maiorzinha e ganhei uma Caloi Ceci: cor de rosa, com cestinha branca e paralamas. Algum tempo depois, meu irmão também teve que trocar de bike: ganhou uma Caloi Cross, vermelha com os acessórios em amarelo fluorescente. Nossa! Que bicicleta...
 
Andamos muito no térreo no prédio onde morávamos, depois na quadra do outro para onde fomos. Meu pai, de algum jeito, arrumou tempo pra acompanhar todo o processo: levanta uma das rodinhas, depois levanta a outra; tira uma das rodinhas, depois tira a outra. Aliás, ele acompanhou o processo e todos os inevitáveis tombos que vieram junto com ele, cujos resultados minha mãe tratava com uma mistura concentrada de água, gelo e sal. Dóia mais do que machucar (sem exagero!), mas funcionava. No outro dia, já estávamos zerados e prontos pra outra.

Depois de alguns anos, andar na quadra do prédio não era mais suficiente. Começamos a perturbar meu pai para sair, fazer trilhas com as bicicletas. Não me lembro como ele conseguiu fazer isso, pois a única bicicleta que eu me lembro de ter visto com ele foi uma Peugeot preta de estrada, seis velocidades, com o câmbio no quadro. Uma máquina, para os meus parâmetros da época, mas impossível de guiar na terra. Imagino que ele tenha arrumado uma mountain bike, ou coisa parecida, porque ele nos levou para fazer várias trilhas – ou, pelo menos, era assim que eu chamava os caminhos de terra batida em torno do estádio Serra Dourada, em Goiânia, ou as estradas das fazendas dos meus avôs.

E eu fazia isso todo fim de semana, empolgadíssima, na minha Caloi Ceci. Que, obviamente, logo deixou de ter cestinha, paralamas, banco branco... E começou a fazer mais barulho que o Fusquinha 69 que hoje meu pai tem pra matar (ou aumentar) a saudade de quando ele tinha a idade que hoje eu aqui relembro.
 
Quando eu fiz dez anos, pedi dinheiro para todos da família que me perguntaram o que eu queria ganhar de aniversário. Juntei aqui, ali, mais uma ou outra mesada que tinha sobrado... Gastei toda a minha lábia pra convencer meus pais a me ajudarem a comprar uma bicicleta. Minha mãe pagou um terço, meu pai um terço, e eu paguei meu terço até com moedas, se brincar, mas consegui: comprei uma Giant Yukon, ma-ra-vi-lho-sa, preta com detalhes em azul metálico. (Hoje, entendendo de bicicletas, sei que provavelmente ela era mesmo giant (gigante) pra mim, pois era um quadro S pra uma pessoinha de 1.40m... Bom, ainda bem que o banco era regulável com blocagem!)

Trilhas, mesmo, quase não fiz com a tal Yukon. Mas adorava andar a cidade toda nos finais de semana! Quando comecei o segundo grau (hoje ensino médio, certo?), ia para a escola todos os sábados de bicicleta, pois assim eu fazia as provas no tempo mínimo permitido e voava para o treino de natação (treino de transição, invertido..?). E, depois da natação, demorava até o último minuto de sol pra voltar pra casa...

A Yukon foi roubada, e muitos anos depois veio a Specialized, cuja história eu resumi no post da corrida. Quando terminei a faculdade, ao invés de trocar de carro, escolhi trocar de bicicleta – e assim ganhei, no começo de 2006, a Cervélo Sóloist Carbon que até hoje é a minha bicicleta de estrada. Um ano e meio depois, já com seis meios ironman completados e dois pódios em campeonatos mundiais de 70.3, achei que merecia uma bike de contra-relógio – então, usei todo o dinheiro da demissão (acordada, claro) da construtora e mais algumas economias para comprar a minha Pinarello Montello FP8, que ainda uso.

Mas bicicletas não são feitas para andar em quadras, ou em rolos...
Eu também não.
 
Por mais feliz que eu tenha me sentido no dia 6 de abril, quando subi pela primeira vez pós-tombo na minha Cervélo, para fazer um bike fit com o Rogerinho... Por mais gratificante e quimicamente estimulante (estou falando de endorfinas!) que seja um pedal de três horas e meia no rolo, cheio de tiros que fazem doer até músculos que nós nem sabemos que temos... Por mais socialmente convidativa que seja a aula de triathlon da Rosana Merino na Cia Athlética todas as terças e quintas pela manhã... Nada se compara à sensação de liberdade e plenitude que um pedal na estrada proporciona! (Ok, talvez uma corrida em trilha... Mas isso fica para um próximo post.)
 
Hoje, eu senti isso. Voltei a pedalar na estrada de Mogi com as meninas do RM Elite Team: Vanessa Gianinni, Talita Saab, Thaty Porto e Carol Furriela. A Coach RM acompanhou o trajeto de moto, e deu bronca quando eu me empolguei em uma ou outra subida, quebrando o ritmo do giro (as meninas tinham que soltar, depois de uma série massacrante de pista).
 
Cheguei ao final do pedal inteira, mas guardei a energia para os próximos treinos. Tomei cuidado com os obstáculos, com os carros, com as entradas e saídas da rodovia... Mas medo, não tive, nem nenhuma outra dificuldade. E ainda terminei o giro com essas lembranças maravilhosas da minha infância, da adolescência, e até dos treinos de pedal pelas montanhas de Boulder...

Resumindo em uma frase, tirada de uma famosa propaganda:
AMO MUITO TUDO ISSO!